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Universo onírico

A vida é feita de sonhos
E, entremeio a devaneios,
Anseio tristonho
E espero enfadonho, que chegue a minha vez

Pode até parecer insensatez
Mas mesmo com a escassez de chances que tenho
Persisto ferrenho
Buscando a realização dos sonhos que sonho acordado

E quando acordo pra realidade, abalado
Quero voltar pro meu universo onírico
E sair desse mundo satírico
Que insiste em me puxar pra baixo

Mas quando tento voar bem alto
Sinto correntes que me prendem os pés, e me sinto ao revés
E os elos dessa corrente, alternadamente vão ficando mais fortes
E eu, sem um pingo de sorte,
Tento libertar-me para seguir meu norte

Aliás, norte ou sul, leste ou oeste, tanto faz
Pois a vida é fugaz
E nem todo o nosso esforço é ineficaz
Então sejamos audazes
Para que não nos tornemos incapazes
De realizar o que almejamos

E aquilo que almejo
É bem mais que desejo
É minha sina
E vejo um lampejo desse sonho em cada esquina

O sonho de não depender
De nem um, nem dez, nem cem para completar meu ser
E de me livrar dos grilhões da submissão
E das correntes que prendem meus pés no chão

Cada elo da corrente é um problema a ser superado
Viver só pra trabalhar e pagar as contas
E mesmo assim terminar em bancarrota?
Parece que estou vivendo no dia da marmota

Sempre na mesma rotina
E com a dor, já inquilina
No peito, desfeito
Quase que minha esperança declina
Mas não me deixo abater
Pois sei que as pancadas que a vida me dá só vão me fortalecer

Parece que estou cumprindo pena, e sem piedade
Enquanto os que nascem em berços de ouro gozam de sua liberdade e do seu capital
Eu aqui nessa cela infernal

Mas chega, agora é hora da verdade!
Chegou a hora de transpor a realidade
E sair dessa cela pela porta da frente
E gritar a plenos pulmões
Que sou fruto de minhas emoções

É hora de chutar o balde
E de seguir sendo lírico
É hora de trocar a realidade
E transformar a vida real
Em meu universo onírico.

Felipe Daltoé

Bon Voyage

Saudando planetas e estrelas
Numa rica e incansável viagem
Esboçando sua silhueta
Em forma de gravuras passageiras
Nas faces brandas de mundos selvagens

Trocando olhares com cometas
Cantou o som de trombetas
Do quebrar da onda rasteira
Até o sonar das grandes baleias

Mergulhando sua lente em nebulosas
Viu paisagens surreais e assombrosas
Cruzou os anéis de saturno
Sentiu a presença gélida de Netuno
E passou para outro círculo de amizade.

E eu aqui, em uma minúscula cidade,
Carregada de inveja e vaidade
Admiro a tua imensa coragem
De se aventurar porta a fora

Mas não pretendo seguir teu caminho
De explorar o vasto universo
Pois dessa vez, amiga, confesso:
Aqui tenho tudo o que amo

Ela não é muito alta
Tem olhos lindos e o cabelo castanho
Um sorriso de dar inveja às estrelas
Escrevo isso sem nenhum engano.
Quem sabe daqui a um ano
Eu volte a lhe dar mais notícias
Continue mandando imagens
Aproveite a bela vista
E tenha uma boa viagem.

Luiz Felipe M. Santata