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Soneto da morte do amor

desista do meu choro, suplico
pois é ele que me escolhe
o choro do cavaquinho, do Chico
o choro do morro que engole

chega de só querer mar vasto
concentra no miúdo, no luzeiro
é ali que nasce o mundo casto
chega deste choro milagreiro

provoca o riso mesmo com lágrima
finge, disfarça, que logo passa
e vai manchando página por página

é do chorar que se escreve a dor
e da tristeza se arranca a sorte
de um amor, que por ora é morte.

Anna Poulain