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Quando

Quando nada faz sentido
é fácil entrar em depressão,
um prédio da cobertura ao chão,
torna-se uma alternativa, uma solução.

Quando a festa vira tédio,
o tédio te doma, tranca no quarto,
lhe vira na cama, revira pro lado,
amarrotando o pijama listrado,
jogado no armário feito seu dono
jogado na vida.

Quando os quilômetros são demais,
as flores perdem o perfume,
pássaros não conseguem encantar ao cantar,
o desgosto de não poder abraçar,
nem o toque do violão é capaz de minimizar.

Quando perde-se os sentidos,
sente-se a vida correr entre os dedos,
perde-se tanto tempo,
que se descobre as consequências do medo.

Eliezer A. de Oliveira

Herança

Sobre as masmorras do medo:
Elas estão cheias de gente
E os açoites da desesperança
Marcam alguns por toda vida.

Construídas sobre pesares no pensar,
No agir, sorrir, amar
Sustentadas pela insegurança
Que cresce nos muros como uma flor púrpura;

Nas rubras paredes abrasadas
Que condensam incessantes lágrimas
Tão firmes quanto as que mantêm nos olhos
Seria esta a única herança compartilhada?

Cada um mantém a chave da própria cela
E se nos recusarmos a sair dela
Nunca saberemos que libertos
Algo melhor está à nossa espera.

Luiz Felipe M. Santana

O medo do medo


“Eu tenho medo
Do medo que as pessoas têm”

Essas sabias palavras de Humberto Gessinger refletem na sociedade. Talvez nem todos tenham se dado conta, mas quanto mais medo se tem de algo, mais é isso que acontece. Esse medo passa a ser o centro do nosso foco e não nos deixa ver nada além.
Daí a vida vira frustração
O dia vira tédio
Ficamos procurando o que não se procura
E não percebemos as belezas de um mundo novo
Que pode estar bem em frente,
Pouco a frente do nosso próprio nariz.

Liberte-se do medo:
Do medo de ficar só,
Do medo de não conseguir,
Do medo do medo!

Gabriela de Oliveira

Não tenha medo

Não tenha medo
Não guardo segredos
Sou carne e osso
Transparente
Nem dor, nem alegria
Poesia em corpo presente.

Universo encanto e verdades
Na história de quem move o mundo
Nômades do asfalto

E se tudo acabasse
O barão
O Barril de petróleo
A comida na prateleira

E se tudo ficasse
Nas estradas por quem luta
Pra quem respira e partilha do mesmo mundo
Da mesma terra que em segundos vira do avesso
E o verso vira coro vendo a fragilidade da alma solitária.

Dímitri Abdalla