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Eterno

Pensamento distante
Coração pulsante
Ando fora do trilho
Sou apenas um andarilho

Sem mente
Sem alma
Corpo vazio
Sinto-me com frio

Esse devaneio me enlouquece
O álcool, por dentro me aquece
Meus sentimentos se esgotam
Mas, em seu lugar, outros brotam

Eu sinto dor
Eu vivo a dor
Não vejo cor
Não me resta amor

Esse longínquo luar
Farei das estrelas meu humilde teto
Enquanto a dor despedaça
Meu coração de concreto

Surgi em segundos
E tão logo sumirei
Vou me misturar ao vento
E disso então esquecer-me-ei

Estou tão alto quanto o céu
E tão baixo quanto o inferno
Não há vida e nem há morte
Serei eterno

Felipe Daltoé

Ao amor*

Quando amamos, caminhar é sorrir.
Ir é encontrar;
Partir é chorar.
Quando amamos, tentar é conseguir.

Quando amamos, ajudar é crescer.
Levantar é progredir;
Falar é aconselhar.
Quando amamos, não desistir é vencer.

Quando amamos, ler é tocar.
Pensar;
Tentar;
Fazer.
Quando amamos, sonhar é realizar.

Quando amamos, olhar é sentir.
Escrever é partilhar;
Sorrir é tentar.
Quando amamos, cantar é ouvir.

Quando amamos, pensamos por amor.
Sentimos na terra, o luar,
E amamos só de pensar.
Amamos. E amar é encantar.

Guiomar Baccin

*poema publicado no livro “Vem comigo; depois te explico”, em 2007.

Loucura

Loucura é coisa de louco

Enquanto o mundo gira pra lugar nenhum
Enquanto o ano passa rápido e a semana não
Enquanto a gente pensa e não faz

Loucura é não sentir prazer

Não ver no dia a dia a beleza
Não ver na rotina a própria existência
Não fazer do tédio um companheiro na hora da solidão

Loucura é não querer a solidão

É se deliciar com prazeres prontos
É repetir frases feitas
É dizer que pensa e pensa

Loucura é coisa do mundo