Arquivo de etiquetas: Beleza

Sementes de angústia

No solo infértil do meu coração
Plantava esperanças e sonhos
Mas nada florescia
Fosse com música, fosse com poesia

Um solo fraco
Regado a álcool
Que sem ver a luz do dia
Estava angustiado e sem energia

Sem recurso nem cuidado
O capim crescia para todo lado
Mesmo desacreditado e sem um pingo de sorte
Ia à procura da semente mais forte

Plantei a semente do amor
E a cuidei noite e dia
E mal acreditava
Quando aos poucos ela crescia

Ao vê-la tomando conta do jardim
Enfim podia me orgulhar
Contemplar sua beleza
Me causava bem estar

Mas da noite pro dia
Acordei com uma surpresa
Vendo a flor arrancada
E pisoteada a sua pureza

E cheio de pesar
Vejo-me novamente rodeado por capim
Pois se colhe o que se planta
E só vejo dor nesse jardim

Felipe Daltoé

Sobre a vaidade

Consigo perceber em nossa sociedade dois tipos de vaidades. Uma é a vaidade é que nos traz o sentimento de individualidade: o jeito que cada um se arruma, a cor que pinta o cabelo, as tatuagens e acessórios que usa. Outra é a vaidade que se impões, dizendo que o bonito é ser de tal e qual maneira.
Sobre a primeira, nada tenho a declarar além do fato de que eu gosto dela: gosto que cada um tenha e possa expressar sua personalidade, sua individualidade e até mesmo sua arte no seu estilo de ser no dia a dia.
Já da segunda, não gosto, nem um pouco! Existe um padrão de beleza imposto e, por ser imposto, ele faz mal. Ele não deixa de cada pessoa seja ela mesma. Somos todos diferentes: nosso corpo, nosso rosto, nossas formas são distintas e há beleza nessa distinção. Lembro que minha mãe sempre dizia: se todos gostassem de azul e pintassem suas casas só de azul, não teria graça. Isso vale pra beleza, pra essa vaidade também. Esse padrão deixa a todos obcecados, não aceitando o corpo que possuem, não aceitando as rugas que o tempo traz. Essa obsessão mata, mesmo que aos poucos, mas mata! Mata quando a pessoa se sente triste por ter engordado dois quilos, mata quando a pessoa não consegue controlar as rugas e estrias, mata quando a única coisa em que a pessoa pensa é em controlar essas ações do tempo.
Tudo isso é incontrolável e precisamos aceitar, sim. O tempo passa e, se focarmos nossa cabeça naquelo que é passageiro, não conseguiremos viver o momento como deve ser vivido. Não vamos nos descabelar pra não sair “feio” na foto; não iremos comer aquela batata frita por medo dos dois quilos; não iremos rir muito pra não fazer rugas.

Sair disso pode não ser algo fácil, mas começa quando nos olhamos no espelho e aceitamos toda a beleza que já está ali, sem depender da aprovação de mais ninguém!

Gabriela de Oliveira