Cigana devoção

A alma bailando em chamas
O corpo movido a versos
No peito rubores rítmicos
Beleza e paixão emersos

Movimentos em liberdade
Belas vestes esvoaçantes
Ao som da prosperidade
Moedas cintilantes

Rosa vermelha em deslumbre
Cabelos negros ao vento
A cabeça erguida enseja
O fatal empoderamento

O bater dos pés descalços
À terra, clama firmeza
O elevar das mãos ao alto
Saudações à natureza

Entre palmas e ralhos agudos
Entoam-se pandeiros e violinos
Sob a luz da fogueira flamejante
Um exuberante colorido

No rodopiar incansável
Giram lenços e pedras atrelados
Misturam-se ao som do batuque
De um coração desordenado

Com devoção, a cigana celebra
O inefável vigor feminino
Faz, da dança, fervorosa oração
Harmonizando corpo, alma e sentidos
Numa sublime e mística comunhão

Luísa Steffens

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