Miércules

Assim, meio sem saber
qual o sentido ou a direção,
sigo,
seguimos,
todos irmãos,
contemporaneos da mesma existência.
o que vai vir,
vir vai.
o que? não sei,
não sabemos.
vivemos pelo presente
pelo presente que não se apresenta,
pensamos no amanha
sentimos saudade do ontem
e não lembro do momento
em que nos libertamos dos desejos.
escravos os reis?
a existência liberta?
tenho certeza que sim,
mas não tenho certeza de como.
o método é uma incógnita.
a escuridão se alastra,
na ausência de luz, infinita.
onde é o fim?
tem fim?
não deveríamos se preocupar com o amanha,
porque o amanha nunca chega,
é no hoje que nascemos,
é hoje que vivemos
e hoje que vamos morrer.
tristeza ou alegria são formas de encarar,
a realidade é uma só
o que nos diferência são pontos de vista,
mentiras em que acreditamos
para dar sentido ao que não tem.
dor e prazer são dois lados de uma mesma moeda
cunhada de vazio.

“Nada sei”

2 comentários a “Miércules”

  1. Pablito, que saudade das tuas poesias por aqui! E que saudade de você também.
    Tuas palavras sempre somam muito ao que eu sou, e depois de ler acabo sendo outro, que sou eu mesmo.
    A evolução, no hoje, como dito, como vivido.
    Um abraço garoto. Forza!
    E obrigado.

  2. Bizu, concordo contigo, a realidade é uma só, nós é que ao olhar a alteramos… gostei bastante de ler aqui esta reflexão que me lembra o livro de Clerice Lispector, Água Viva, do qual hoje postei algo lá em Vidráguas… qundo puderes leia lá.

    Um beijo e bom final de semana.

    Carmen Silvia Presotto

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