Memorial do Inferno

Livro autobiográfico, onde Valdeck nos conta a história de um Baiano no interior, com família que não tinha renda para sustentar oito filhos, além dos pais, morando de aluguel, sem móveis, sem água encanada nem luz elétrica e que pelo grande amor de sua mãe, Paula Almeida de Jesus, a família permaneceu unida até que cada um dos filhos pudesse sobreviver por si só.

Valdeck começa nos contando sobre sua infância; comenta sobre um episódio onde aconteceu sua “quase” primeira relação sexual, primeira namorada, evolução nos estudos, e já nessa época como conheceu e gostou daquele jeito de escrever que chamava “poesia”.

Também são retratadas todas as dificuldades que já o aguardavam ali, desde o momento em que veio ao mundo. Na minha visão, desde criança Valdeck já se destacava, e acredito que um dos principais motivos para isso foi justamente a capacidade de adaptação que encontrou e desenvolveu durante sua infância e primeiros anos de adolescência.

Sempre tendo que “correr atrás” aprendeu a dar o devido valor a cada coisa.

A leitura desta obra não é nada cansativa, pelo contrário, me fez gargalhar algumas vezes, como na parte em que Valdeck nos conta como caiu em uma brincadeira de um amigo, durante uma das procissões que a mãe adorava ir. Um menino lhe deu uma vara para segurar, quando segurou firme, seu “amigo” puxou a vara que escorregou por seus dedos deixando sua mão toda suja de bosta.

Valdeck segue retratando muito bem a vida na Bahia naquela época. O tempo vai passando e o autor vai relatando suas conquistas. Entre elas, moradias e seu primeiro carro. Com ele, as viagens, todas interessantes e recheadas de detalhes. Entre os que eu mais gostei, está o relato de Valdeck sobre ter avistado um disco voador na estrada de Santa Inês.
Ainda na parte de viagens, temos relatos de viagens à São Paulo, Jequié, Salvador, Nova York, Madrid, Porto Alegre, Venezuela e Cuba.

Para concluir, uma sessão de histórias bizarras. E são bizarras mesmo!

Este livro não apenas narra com detalhes uma história de superação de obstáculos durante toda uma vida – tendo como principal inimigo a dificuldade financeira – como também mostra que sorte é quando a força de vontade encontra mais força de vontade.

Uma das principais mensagens que tirei deste livro foi que, por piores que sejam as condições onde uma pessoa vive e como ela vive, ainda assim, com muito esforço e força de vontade, é possível seguir em frente, sem nunca desistir, ser ajudado e ajudar da melhor forma possível.
Todos nós temos uma imensa capacidade, uns usam, outros não. E, mais importante que isso, qualquer pessoa, independente de cor, credo ou classe social, DEVE sonhar, para então sim poder realizar.

Esse trecho é do começo do livro:

“(…)eu, com meus seis ou sete anos de idade, viajava no ônibus com minha mãe, e um passageiro, sentado no banco de trás, começou a brincar comigo. Como eu não respondia nem participava da brincadeira, o homem protestou dizendo que eu era muito enfezado e que tinha a cara fechada. Hoje, ao lembrar desta cena, percebo o quanto mudei. Atualmente sou um sujeito brincalhão que tenta sempre se manter alegre e tirar uma boa lição de tudo o que a vida possa oferecer, seja de bom ou de ruim.”

Neste livro podemos perceber o quanto é importante a postura que cada um de nós apresenta perante a vida e o que cada um faz a partir disso.

Parabéns ao amigo Valdeck por mais esta obra!
Livro recomendado!
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Guiomar Baccin
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2 comentários a “Memorial do Inferno”

  1. O livro parece ser muito interessante mesmo. Bahia automaticamente me lembra Jorge Amado e os Capitães da Areia…
    Muito boa a resenha!
    O trecho que você postou e a capa do livro são incríveis.

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