Masoquismo sentimental

A dor que clama
O peito que arde em chamas
As unhas que me arrancam a carne, rasgando-me por dentro
E o sangue que jorra
Como um mar de sofrimento

Os gritos de lamúria
E os tapas da vida, cheios de fúria
Mas que também trazem prazer
Será mesmo que após tantas pancadas
Passei a gostar de sofrer?

Aprendi a apreciar a melancolia
Com a decepção nossa de cada dia
Vivendo com a solidão em demasia
Como um vício inerente

Um veemente tipo de dor
Recorrente desamor
Que provoca amargor no coração
Autoflagelação

Constantemente sou condescendente
Principalmente no amor
E é essa complexidade em me impor
Que agrava ainda mais o meu estado

Estado de poesia
Pura poesia, intrínseca no ser
Fruto de meus inúmeros delírios
E enquanto a vida passa, e os fardos pesam
Sigo sofrendo meus martírios

E é sentindo o açoite que retalha
E que no meu peito entalha
As marcas do suplicio
Que aqui e agora, explicíto meu oficio

O oficio de um poeta em agonia
Que tenta transformar o sadismo da vida
Em uma vida de poesia.

Felipe Daltoé

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *