Anatomia da melancolia

Olhos
Ouvidos
Boca
Respiração
Sou todo emoção

Fígado forte
Lágrimas
Fumaça no pulmão
Sou todo coração

Tendões
Músculos
Movimento
Sou todo sentimento

Cérebro
Pele
Batimentos
Sou todo sofrimento

Um conjunto de ligamentos
Que dão-me movimentos
E os ferimentos do cotidiano
Só me tornam mais humano

E os meus cinco sentidos
Que completamente enlouquecem
Quando em meu ambiente
Você aparece

O cheiro suave do perfume que me adentra as narinas
O seu olhar cativante que me fascina
A sua voz, que me amolece igual morfina
O gosto dos seus lábios nos meus, menina
E minhas mãos que tateiam seu corpo macio, quase ébrio, em que vicio

O corpo fala
E entre gritos e sussurros
Me encontro em cima do muro, inseguro
Entre o abismo da melancolia
E o abismo do amor puro

Mas sou uma pessoa de extremos em constante alteração
E em questão de minutos
Sem escolher o lado, posso dar de cara com o chão
Um bipolarismo misturado com indecisão

E é essa necessidade gritante de expressar minhas estranhezas
Que me deixa na vida com mais uma certeza
A de que a poesia é parte intrínseca da minha pessoa
E isso não é à toa

Cada verso é anatomicamente encaixado, vinculado
A organização em um desorganizado
Poesia visceral, e vital para se viver
Como se meu sangue fosse a tinta
Pro meu vício de escrever

Dores peitorais
Tinta/sangue
Libido
Sou todo coração partido.

Felipe Daltoé

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