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A vida é assim

Estou na terceira fase
E ainda não decorei o número da minha matrícula.
Então o que eu sei?
Alguma coisa. Que sou. Que penso.
Que duvido.
Entre outras coisas.
Se for colocar um grau
Pode até ser muito.
Mas o que eu não sei, então?
Graduar o que não sei pode ser difícil.
Pode ser impossível. Infinito.
Ou não. Pois acredito na natureza.
Concluo que a verdade seja e venha da natureza.
Se é assim lá em cima, aqui em baixo assim deve ser.
Sabe, natureza no sentido que os filósofos falam.
A “physis”. A Arkhé.
Mas também pensavam isso pois não tinham o conhecimento que temos hoje.
Não chegamos ao fim, mas tenho bons motivos, boas razões, para acreditar que seja finito.
Que seja possível.
Início, meio, fim.
Começo, meio, fim.
Não posso ter certeza que o universo seja assim.
Mas sei de uma coisa.
A vida é assim.
E eu agradeço,
Seja lá como for,
Agradeço por ser assim.

Mais um sentido

Não haveria muito sentido em minha existência se eu simplesmente aceitasse.
Se eu somente estivesse satisfeito.
Esse estado atinge-se, acho eu, quando todas as suas tarefas foram completadas.
Como “virar” um jogo de vide game.
Pode até ser divertido jogar novamente, mas não haverá muita novidade.
Escurecido pelas nuvens.
Acho que é assim que nós vivemos.
Procurando uma verdade, pois “sabemos” que ela está lá.
Ela brilha.
Mas as nuvens estão na frente.
Uns haverão de dizer: “Não, eu apenas vivo, apenas existo, não quero descobrir nada. Movo-me sozinho”.
Para esses eu falei: Tudo bem, que assim seja, então.
Mas para aqueles ainda buscam, que ainda vivem tendo esperança, crença, torcida, como quiser chamar, de que algo acontecerá, quem ainda vive fazendo acontecer, para esses eu digo:
Vamos fazer acontecer!

O empresário e o hippie

Era uma vez, dois meninos: um loiro e magro, outro moreno e baixo, mas isso não vem ao caso. O caso é que foram amigos desde criança, mas cresceram e foram pra faculdade. Perderam o contato nesse tempo e nunca se encontraram durante as férias. Eram os tempos antes da internet (não muito antes), tudo era mais complicado.
Qual foi o curso de cada um, também não interessa; interessa o ser que cada um formou nesse meio tempo: o loiro e magro virou empresário, o moreno e baixo virou hippie.
Já formados se encontraram e se assustaram com o que o outro havia se tornado, mas foram juntos tomar cerveja e discutir o caso. Cada um tinha um bom argumento pra vida que escolhera: liberdade; conforto; vida sem rotina; estabilidade; não se prender a alguém; mulher e filhos. Assim foi a discussão por um longo tempo. 
Depois desse dia, levou anos para se encontrarem novamente. E foi um susto no dia em que isso aconteceu: o loiro e magro agora era hippie e o moreno e baixo virou empresário.
Nunca mais foram felizes.

Alma de águia, trama de cordeiro

Bem, não sei se posso chamar isso de resenha, pois é realmente e somente minha opinião e visão sobre o livro.

ALMA DE ÁGUIA, TRAMA DE CORDEIRO
 Sim, meu caro Rodrigo, “a vida promove a morte”, todos os dias, a todos os momentos e o contrário não deixa de ser também realidade: a morte promove a vida! Alguns ficam assustados, outros fazem tudo perder o sentido, outros ainda começam a atribuir sentido às coisas quando se dão conta da morte!
Todas as compreensões já são tardias
É tempo de ação”.

Todos nós temos nosso tempo de espera. Tempo de iluminação, de espera e de ação. O autor não parece querer esperar muito e também não busca a compreensão, ou seja, o que ele sabe é suficiente para agir. O recado nos é passado de forma clara e objetiva: é tempo de ação! A revolta e a vontade de potência estão muito presentes nessa primeira parte do livro, é animador, é vivo!
Ainda nessa primeira parte, uma das poesias que mais me chamou a atenção foi “Dança da noite”. Não consegui identificar com precisão quem é o personagem, mas é de fácil entendimento (pelo menos o meu) que um ser acima dos mortais, um ser vil, está dialogando, ou monologando, como preferir, com um ser comum, um mero mortal e, para ele, ela será apresentada a morte, com uma justificativa muito convincente.
No começo da segunda parte está uma dialética do não contentamento, o tédio aparece como a morte dos que realmente vivem e não daqueles que estão apenas vivos. Esse descontentamento emerge como uma vertente para o novo passo, que é fazer algo.
Poesia egoísta”não é tão egoísta assim. O poeta sabe que, ao findar seu escrito, esse não mais o pertence; pertence ao leitor. Ao mesmo tempo que o autor se entrega a poesia, também dá dicas para que essa não faça seu autor sofrer. Muito interessante essa parte!
Logo após a contemplação da vida, o saborear do dia a dia, da paz. Chama a atenção a constante mudança, de humor, do que importa. Fico com a impressão de que quem escreve vem vivendo por muito, muito tempo. O esforço vale a pena!
Como diz o autor, a obra é dividida em cinco parte e esse livro trás as duas primeiras. Certamente recomendo a leitura e esperarei ansiosamente as partes que ão devir (com o perdão do trocadilho).
Ficha técnica:
Livro: Alma de águia, trama de cordeiro
Autor: Rodrigo Luis Mingori
Editora: Medusa
Ano de publicação: 2012
ISBN: 978-85-64029-01-9

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