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Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 é a adaptação cinematográfica do romance homônimo de Ray Bradbury, dirigida por Francois Truffaut em 1966. A trilha sonora é de Bernard Herrmann (compositor favorito de Alfred Hitchoc), e a direção de fotografia é de Nicolas Roeg.

Sinopse

Num futuro hipotético, os livros e toda forma de escrita são proibidos por um regime totalitário, sob o argumento de que fazem as pessoas infelizes e improdutivas.

Se alguém é flagrado lendo é preso e “reeducado”. Se uma casa tem muitos livros e um vizinho denuncia, os “bombeiros” são chamados para incendiá-la. Montag é um desses bombeiros. Chamado para agir numa casa “condenada”, ele começa a furtar livros para ler. Seu comportamento começa a mudar, até que sua mulher, Linda, desconfia e o denuncia. Enquanto isso, ele mantém amizade com Clarisse, uma mulher que conhecera no metrô.

Ela o incentiva e, quando ele começa a ser perseguido (e morto, segundo a versão televisiva oficial), ela o leva à terra dos homens-livro, uma comunidade formada por pessoas que memorizavam seus livros e também eram perseguidas. Essas pessoas decoravam os livros, para publicá-los quando não fossem mais proibidos, e os destruíam.

Pensando o sentido: religião e vegetarianismo

Nasci no sul do Brasil, uma região que tem como comida típica o churrasco. Por muitos anos segui essa tradição sem jamais pensar ou me questionar sobre o assunto.
No final de 2010, li uma reportagem sobre Paul McCartney que falava sobre seu vegetarianismo. Dias após, encontro frases de vegetarianos famosos falando sobre o assunto, incluindo Rita Lee. Na época, eu era devota do bom churrasco todo o domingo, mas fiquei curiosa e me perguntei: o que faz com que essas pessoas não comam carne? Pesquisei sobre o assunto e encontrei vários sites: alguns com informações de menos, outros radicais demais pra quem ainda comia carne e outros que me informaram de maneira equilibrada tudo o que eu precisava fazer. Após ler muito, refleti sobre o assunto. Após refletir muito sobre o assunto, decidi parar de comer carne. Nem se eu quisesse continuar comendo eu conseguiria. 
Com a religião não foi muito diferente, mas foi mais cedo. Eu tinha 10 anos quando a minha mãe começou a ir numa igreja evangélica e me obrigava a ir junto. Eu era uma criança e queria cortar o cabelo, usar qualquer roupa e ouvir o meu rock n’ roll, coisas que a igreja proibia. Foi ali que eu comecei a me questionar: “por que eu tenho que deixar o cabelo crescer e usar apenas saia para ir para o céu? Não basta eu ser uma pessoa boa?” Isso me fez ler muito sobre religião, desde os mitos da antiguidade, passando por Idade Média, religiões árabes, hinduísmo, budismo, enfim, tudo o que foi possível. Foram anos lendo, estudando, pensando em todas as contradições, ao mesmo tempo que eu lia e estudava sobre ciências e teorias sobre a formação do Universo e dinossauros e etc. Depois de um tempo, parei de me importar e me declarei agnóstica. Depois de muito tempo sem me importar, sem ir a igrejas, sem rezar e perceber que tudo na vida dava certo, misturando com leituras de Jean Paul Sartre, me declarei ateia. Isso não foi uma escolha, foi uma conclusão, foi uma percepção de que não havia nada superior a mim regendo a minha vida. Tudo que eu precisava para fazer as coisas acontecerem, estavam em mim.
Minha intenção não é fazer com que todas as pessoas do mundo sejam vegetarianas ou deixem de acreditar em deus. Eu apenas gostaria que todos parassem para pensar sobre o assunto. A maioria come carne e vai à missa todos os domingos por não repensar os seus hábitos. A alimentação e a religião fazem parte de uma cultura de séculos e não é da noite para o dia que se tira hábitos tão intrínsecos na nossa sociedade. Nem todos que pararem para ler e pensar nos assuntos, concordarão que não comer carne e não ter religião não é preciso na nossa vida. Eu lhes digo que não faço uso de nenhum dos dois e tenho tudo que preciso.
A intenção é sempre fazer com que as pessoas pensem por elas mesmas. Fazer o que eu acho certo só porque eu acho certo é o mesmo que fazer o que Hitler acha certo só porque Hitler acha certo. A primeira coisa que fez com que eu gostasse de filosofia é justamente esse questionamento, a certeza que cada um pode pensar por si mesmo e chegar às suas conclusões. Talvez eu esteja completamente errada, mas acho que se cada um pensasse por si mesmo, todos chegariam a mesma conclusão: não é ruim que as pessoas acreditem em um deus, o que ferra com tudo é o fato de seguirem uma religião idiota; o problema não é as pessoas comerem carne, mas pensarem que sem carne não vivem, que tem que ter carne em tudo; o problema não é o povo votar, mas é não saber votar, é votar naquele que fala o que eles querem ouvir mesmo sabendo que o cara não vai cumprir.
Quem pensa, não consegue ouvir as músicas de maior sucesso dos nossos dias, não consegue assistir novela, nem muitos filmes que passam por aí. 
O caso é que pensar dói, dá trabalho, trás angustias. Mas é sentindo essas dores e angustias que eu sou livre.

Gabriela de Oliveira
Blog da autora do texto: http://www.pensarsersentido.blogspot.com.br/