Arquivo da Categoria: Liberdade

Sobre a vaidade

Consigo perceber em nossa sociedade dois tipos de vaidades. Uma é a vaidade é que nos traz o sentimento de individualidade: o jeito que cada um se arruma, a cor que pinta o cabelo, as tatuagens e acessórios que usa. Outra é a vaidade que se impões, dizendo que o bonito é ser de tal e qual maneira.
Sobre a primeira, nada tenho a declarar além do fato de que eu gosto dela: gosto que cada um tenha e possa expressar sua personalidade, sua individualidade e até mesmo sua arte no seu estilo de ser no dia a dia.
Já da segunda, não gosto, nem um pouco! Existe um padrão de beleza imposto e, por ser imposto, ele faz mal. Ele não deixa de cada pessoa seja ela mesma. Somos todos diferentes: nosso corpo, nosso rosto, nossas formas são distintas e há beleza nessa distinção. Lembro que minha mãe sempre dizia: se todos gostassem de azul e pintassem suas casas só de azul, não teria graça. Isso vale pra beleza, pra essa vaidade também. Esse padrão deixa a todos obcecados, não aceitando o corpo que possuem, não aceitando as rugas que o tempo traz. Essa obsessão mata, mesmo que aos poucos, mas mata! Mata quando a pessoa se sente triste por ter engordado dois quilos, mata quando a pessoa não consegue controlar as rugas e estrias, mata quando a única coisa em que a pessoa pensa é em controlar essas ações do tempo.
Tudo isso é incontrolável e precisamos aceitar, sim. O tempo passa e, se focarmos nossa cabeça naquelo que é passageiro, não conseguiremos viver o momento como deve ser vivido. Não vamos nos descabelar pra não sair “feio” na foto; não iremos comer aquela batata frita por medo dos dois quilos; não iremos rir muito pra não fazer rugas.

Sair disso pode não ser algo fácil, mas começa quando nos olhamos no espelho e aceitamos toda a beleza que já está ali, sem depender da aprovação de mais ninguém!

Gabriela de Oliveira

Por Ser só o que É

Não importa quais ou quantas foram as possibilidades: cada um fez uma escolha e nada mais. Não importa o que aconteceu ou o que poderia ter sido; são apenas hipóteses e não fatos. Não dá pra pensar no que não é.

Há o fácil que tentamos explicar
e complicamos.
Há o complicado que deixamos para lá
e facilita.
Explica-se por si
por ser Só o que É
Por não saber que é o que
Há beleza,
Não há silêncio consolador
mas o absurdo faz parte da vida.
Não há como impedi-lo
nem porque fazer isso
que não se desfaz
mas se refaz
e toma o resto de si pra si.
O resto de um rosto
sem beleza palpável
de duvidosa dor ou felicidade.
Não explica os termos
não define os conceitos
apenas se esvai.
E se vai, volta…
Todo dia.

Gabriela de Oliveira

O medo do medo


“Eu tenho medo
Do medo que as pessoas têm”

Essas sabias palavras de Humberto Gessinger refletem na sociedade. Talvez nem todos tenham se dado conta, mas quanto mais medo se tem de algo, mais é isso que acontece. Esse medo passa a ser o centro do nosso foco e não nos deixa ver nada além.
Daí a vida vira frustração
O dia vira tédio
Ficamos procurando o que não se procura
E não percebemos as belezas de um mundo novo
Que pode estar bem em frente,
Pouco a frente do nosso próprio nariz.

Liberte-se do medo:
Do medo de ficar só,
Do medo de não conseguir,
Do medo do medo!

Gabriela de Oliveira

Inconstantes

Até que uma ideia torne algo real
Até que a vida chegue num estágio final
Tudo o que somos, somos a todo instante
E o instante nos muda
Nos deixando inconstantes
Consciente de tudo
Que pode nos dar nada
E do nada que nos rodeia
Fazendo a roda girar
Mas quem foi que disse
Que nada se transforma
Se transformou em produto
De compra, venda e troca
Muito tempo, quase sempre é pouco
Quando não há motivo
Ou sentido
Pra continuar uma vida digna de ser vivida
Passada e repassada a limpo
Por todas as coisas
Que não voltam atrás.

Definições

Quem puder me definir alguma coisa
Que faça
Mas que não seja à toa
Que não seja do jeito que qualquer um impõe
Que não me pague para que eu diga
O que deve-se fazer da vida
Todo dia
Toda hora
Minuto a mais
E toda a coisa é alterada
Não que faça tanta diferença assim
Não que seja igual as coisas
Que alguns definem como normal
Eu sinto as coisas
Que não fazem sentido
E entendo o que dá pra entender
O que me é útil
E nem sempre definido
Algo de que eu não queira fugir
E nem absorver.

Correr contra

Não precisa seguir a linha reta
À risca
Podemos rabiscar um mapa
Traçar a rota
E correr contra
Ir de encontro ao novo
O desconhecido está sempre por aí
Pra quem tem curiosidade

As perguntas nunca param
Para quem se atreve
Pra quem não tem medo
De ser curioso
E tentar abrir a porta mágica
A ponte só faz sentido
Se você for atrevido
E não estiver satisfeito
De apenas sentir
Um bom vento batendo contra o peito