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Poesia é coisa

Poesia é coisa de louco,
poesia é coisa de vadio,
poesia é coisa de trabalhador,
poesia é coisa de gente sóbria.

Poesia é coisa que faz,
poesia é coisa que sofre,
poesia é coisa que ri,
poesia é coisa que chora.

Poesia é coisa que grita
coisa que sussurra,
coisa que geme,
Poesia é coisa que mata.

Poesia é sim,
poesia é não.
Poesia é tudo e nada,
é grande e pequena,
mas poesia nunca é talvez.

Poesia é fazer sol,
poesia é chover.
Poesia faz sentir,
poesia faz florescer,
faz viver.

Viva a poesia!

Guiomar Baccin

Dia do e da Poeta

Ser poeta
não é ter profissão.
Sendo poeta não consigo
nem ganhar o pão.

O poeta escreve sofrido,
não esquece a dor do ocorrido,
fica remoendo o passado,
até parece um sentimento atrasado.

Ser poeta é

mais condenação
do que escolha.
mais emoção
do que ponderação.
mais bebida
do que comida.
mais abstinência
de que overdose.

Ser poeta é
mais o outro
do que você.

“Feliz” dia do ator
que vive na pele
seu papel de fingidor.

Guiomar Baccin

Pátria que me pariu

Patrícia era pobre e preta
passava pelas pinguelas para
poder preparar o pão.
Pegava pesado,
Passava de pedra em pedra,
nem pestanejava,
precisava pagar a prestação.

Pedro, seu patrão, era patriarcal
e possuía pedras preciosas.
Podia até parecer preocupado
mas para Pedro,
pescar era para os pobres.
Patrão só precisava parecer
pertinente.
Padrão.

Prepotente, Pedro perdeu a paciência.
Pediu para Patrícia priorizar a profissão.

Patrícia preferiu passar pela porta.
Seu peito não pulsava pela pátria
e sim pela poesia.

Para poder progredir é preciso:
Preparação
Perspectiva
Paciência

Paz.

Guiomar Baccin

Memórias

O retrato guarda o momento,
vejo pessoas que não querem ver.
O livro guarda a história,
ouço pessoas que não querem ouvir.

As portas guardam as casas,
sinto pelas pessoas que não querem sentir.
As janelas guardam o vento,
e eu canto, pelas pessoas que não querem sorrir.

As marcas no rosto guardam o tempo.
Tempo esse que não irá voltar.
E, sabendo disso, te pergunto:
Você não tem vontade de amar?

A consciência guarda a razão,
Que todos seguem, sem entender…
Já o amor não consegue ficar guardado.
Ele está aqui, e eu vou deixá-lo florescer.

Guiomar Baccin

Uma poesia de bom dia

Quando amanhece
E eu vejo o sol brilhando lá em cima
Eu lembro de você.
Quando anoitece
Ou quando a lua se oferece ao dia, lá em cima
Eu lembro de você.

Quando estou triste, desanimado,
Ou quando quase, por um pouco, não há esperança
Eu lembro de você.
Quando me alegro e tenho forças
Ou quando quero mudar o mundo
Eu lembro de você.

Se o que resta-te é viver nesse mundo sem sentido,
O que resta-me é viver neste com você.

Guiomar Baccin

Ao amor*

Quando amamos, caminhar é sorrir.
Ir é encontrar;
Partir é chorar.
Quando amamos, tentar é conseguir.

Quando amamos, ajudar é crescer.
Levantar é progredir;
Falar é aconselhar.
Quando amamos, não desistir é vencer.

Quando amamos, ler é tocar.
Pensar;
Tentar;
Fazer.
Quando amamos, sonhar é realizar.

Quando amamos, olhar é sentir.
Escrever é partilhar;
Sorrir é tentar.
Quando amamos, cantar é ouvir.

Quando amamos, pensamos por amor.
Sentimos na terra, o luar,
E amamos só de pensar.
Amamos. E amar é encantar.

Guiomar Baccin

*poema publicado no livro “Vem comigo; depois te explico”, em 2007.

Viva Cultura – RIC TV – Entrevista com Guiomar Baccin

Quadro Viva Cultura que foi ao ar no Jornal do Meio Dia em 23 de Maio de 2015, onde Diego entrevista Guiomar Baccin sobre o primeiro lugar no Concurso Nacional Novos Poetas, Prêmio Poesia Livre 2015 e também sobre o Grupo de Artes e Cultura Cosmonautas.

A poesia declamada ao final da entrevista foi pega de surpresa e vale mais no contexto do livro (Conhece-te a ti mesmo), mas aqui está, da página 70:

Olha aqui

Entristece-me que tantos sejam indiferentes
perante tanta indiferença.

Indigno-me com o fato de tantos olharem quem tem mais
com mais admiração

Enquanto outros tem pouco,
quase nada,
mas muito no coração.

Guiomar Baccin

Já não me importo com as roupas

Já não me importo com as roupas.
E também parei de me importar com meus cabelos.
Uns dizem que devo usar tal coisa para agradar,
e eu quero usar uma coisa diferente porque é mais confortável.
Aprendi que para chegarmos até um determinado lugar,
algumas vezes temos que passar por um determinado caminho.
E assim é sempre. Para conseguir uma coisa, abrir mão de outra.
O que difere são as importâncias.
E no final, nada importa tanto assim.
Muito menos as roupas que eu escolhi
ou que escolheram para mim.
Quero apenas andar, sabendo onde vou chegar.

Pense assim e veja o que acontece.

Guiomar Baccin

Farândola Cultura – Poliphonias

A faixa 15 do áudio-book é o poema “Meio poesia” de Guiomar Baccin, interpretado por Nicola Gonzaga.
Confira abaixo!

A Farândola está celebrando o lançamento de mais uma obra literária em formato áudio-book. É a coletânea poética: “Poliphonias” que reúne textos, vozes e trilha sonora de diversos artistas, dentre eles: Marco Aurélio Gorgulho Bacha, Flora Holderbaum, Nicola Gonzaga, Joana Knobbe, Luisa Correia Filho, Cândice Guzmán, Zé Amorim, Juniores RodriguesGuiomar BaccinMartin Cohen,Valdemir Duarte, Clara Baccarin, François Muleka, Fê Luz, Telma Scherer, João Amado entre outros. Estamos quase finalizando!

Para ouvir a prévia do projeto clique abaixo: