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Estranha

E eu pensando que era estranha

Descobri que melhor ser estranha
Do que não ser 
Nada pode ser
Maior que a falta de estranheza
Deste mundo tão vulgar
Eu pensando
Descobri o que era
E o que já não poderia ser
Embora fosse ao longe,
O sol do horizonte só gerava sombra
E eu me deliciava na sombra
Luz cega mais do que a escuridão
Luz faz parte de outra coisa
E ainda prefiro o que é estranho
Que me induza a descobrir
Mesmo que inútil
O sentido que em algum lugar
Deve resistir.

Pensamentos

Me perdi em pensamentos
E acabei esquecendo o que era pra ser dito
Um reflexo no espelho
Não reflete o que eu vejo
Nem em sentido mais abstrato
Haveria sentido
E é o como e o quando da vida
Que nos deixa perdidos
Caminhando ora em florestas negras
Ora em praças ensolaradas e com brisa fresca
Uma parte do todo
Um pequeno pedaço de mundo
Um subsolo 
É o que está por trás de tudo 
Que faz esse todo
Que uns pensam e questionam
Que outros preferem nem saber
Há sempre um objetivo em tudo isso
E eu me perco em pensamentos
E fico sem saber
O que era mesmo que eu queria dizer.

Pensando o sentido: religião e vegetarianismo

Nasci no sul do Brasil, uma região que tem como comida típica o churrasco. Por muitos anos segui essa tradição sem jamais pensar ou me questionar sobre o assunto.
No final de 2010, li uma reportagem sobre Paul McCartney que falava sobre seu vegetarianismo. Dias após, encontro frases de vegetarianos famosos falando sobre o assunto, incluindo Rita Lee. Na época, eu era devota do bom churrasco todo o domingo, mas fiquei curiosa e me perguntei: o que faz com que essas pessoas não comam carne? Pesquisei sobre o assunto e encontrei vários sites: alguns com informações de menos, outros radicais demais pra quem ainda comia carne e outros que me informaram de maneira equilibrada tudo o que eu precisava fazer. Após ler muito, refleti sobre o assunto. Após refletir muito sobre o assunto, decidi parar de comer carne. Nem se eu quisesse continuar comendo eu conseguiria. 
Com a religião não foi muito diferente, mas foi mais cedo. Eu tinha 10 anos quando a minha mãe começou a ir numa igreja evangélica e me obrigava a ir junto. Eu era uma criança e queria cortar o cabelo, usar qualquer roupa e ouvir o meu rock n’ roll, coisas que a igreja proibia. Foi ali que eu comecei a me questionar: “por que eu tenho que deixar o cabelo crescer e usar apenas saia para ir para o céu? Não basta eu ser uma pessoa boa?” Isso me fez ler muito sobre religião, desde os mitos da antiguidade, passando por Idade Média, religiões árabes, hinduísmo, budismo, enfim, tudo o que foi possível. Foram anos lendo, estudando, pensando em todas as contradições, ao mesmo tempo que eu lia e estudava sobre ciências e teorias sobre a formação do Universo e dinossauros e etc. Depois de um tempo, parei de me importar e me declarei agnóstica. Depois de muito tempo sem me importar, sem ir a igrejas, sem rezar e perceber que tudo na vida dava certo, misturando com leituras de Jean Paul Sartre, me declarei ateia. Isso não foi uma escolha, foi uma conclusão, foi uma percepção de que não havia nada superior a mim regendo a minha vida. Tudo que eu precisava para fazer as coisas acontecerem, estavam em mim.
Minha intenção não é fazer com que todas as pessoas do mundo sejam vegetarianas ou deixem de acreditar em deus. Eu apenas gostaria que todos parassem para pensar sobre o assunto. A maioria come carne e vai à missa todos os domingos por não repensar os seus hábitos. A alimentação e a religião fazem parte de uma cultura de séculos e não é da noite para o dia que se tira hábitos tão intrínsecos na nossa sociedade. Nem todos que pararem para ler e pensar nos assuntos, concordarão que não comer carne e não ter religião não é preciso na nossa vida. Eu lhes digo que não faço uso de nenhum dos dois e tenho tudo que preciso.
A intenção é sempre fazer com que as pessoas pensem por elas mesmas. Fazer o que eu acho certo só porque eu acho certo é o mesmo que fazer o que Hitler acha certo só porque Hitler acha certo. A primeira coisa que fez com que eu gostasse de filosofia é justamente esse questionamento, a certeza que cada um pode pensar por si mesmo e chegar às suas conclusões. Talvez eu esteja completamente errada, mas acho que se cada um pensasse por si mesmo, todos chegariam a mesma conclusão: não é ruim que as pessoas acreditem em um deus, o que ferra com tudo é o fato de seguirem uma religião idiota; o problema não é as pessoas comerem carne, mas pensarem que sem carne não vivem, que tem que ter carne em tudo; o problema não é o povo votar, mas é não saber votar, é votar naquele que fala o que eles querem ouvir mesmo sabendo que o cara não vai cumprir.
Quem pensa, não consegue ouvir as músicas de maior sucesso dos nossos dias, não consegue assistir novela, nem muitos filmes que passam por aí. 
O caso é que pensar dói, dá trabalho, trás angustias. Mas é sentindo essas dores e angustias que eu sou livre.

Gabriela de Oliveira
Blog da autora do texto: http://www.pensarsersentido.blogspot.com.br/

É sempre assim

Antes que se diga qualquer coisa
Muitas coisas já foram perdidas
E a maioria era importante
E por que ser tão medíocre?
Essa tal de globalização e linhas imaginárias
Tudo nos dividindo e nos prendendo
Enquanto não aprendermos a ser mais
Somos mais um na multidão
E todos falam do óbvio
Como se fosse nada demais
Mas o que fazer
Com o que fizeram com a gente?
Se a gente nunca sabe
Pra que direção correr
Se a gente nunca sabe
Onde se esconder.


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Gabi
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