Arquivo da Categoria: Felipe Daltoé

O Tempo

O relógio, tique-taque
E o tempo vai passando
Nossa vida se perdendo
O que estamos esperando?

Sendo escravos do trabalho
Trocando-se por ouro
Mas o que a gente perde
É nosso maior tesouro

Nossos bens são esquecidos, revendidos, destruídos
E o dinheiro gasto a toa, o mal uso, que abuso!

Mas o tempo não se compra
Não se volta
Ou rebobina

Não se acha em algum beco
Nem no prédio
Nem na esquina

Nosso tempo a gente faz
A gente vive
Não o perca!

Não seja mais uma ovelha
Liberte-se
Pule a cerca!

O relógio, tique-taque
E o tempo vai passando
Nossa vida se perdendo
O que você está esperando?

Felipe Daltoé

Ressaca moral

Olho fixo através da vidraça
E sem notar o tempo que passa
Espero esperançoso lhe ver passar
Enquanto vagarosamente você se afasta

Busco sentido
Naquilo que estou sentindo
E sem te sentir
Bebo até perder os sentidos

Vagueio pela rua
Cambaleando a sua procura
E adentro de bar em bar
Na tentativa de me encontrar

Madrugada adentro
Ecoando de beco em beco
Escuta-se o meu lamento
A noite não faz julgamento

Ao final da caminhada
Exausto, infausto, e sem suporte
Desmaio em uma poça de minha própria ilusão
A ressaca moral é sempre a mais forte…

Felipe Daltoé

Coração nos trilhos

Mundo vazio
O vento frio me corta a alma
A luz da lua sob mim
Me acalma

Com a cabeça nas nuvens
E o coração nos trilhos
Andando rumo a escuridão
Descarrilho

De vagões vazios
A sentimentos vagos
Carrego-me de ilusões
Para preencher espaço

Sem destino demarcado
Nem hora para chegar
Busco novos ambientes
Sem ter pra onde voltar

E a cada dia
Inicio outra viagem
Sem maquinista
Sem cobrador
E sem pagar a passagem

Felipe Daltoé