Arquivo da Categoria: Eliezer A. de Oliveira

Vejo

Vejo em cada olhar vontade de vencer,
A cada amanhecer o novo acontecer.
Vejo na noite mais fria a lua me aquecer,
E na amizade o bom de viver.

Vejo em cada verso o amor acontecer,
Em cada rosa sinto o perfume
De momentos que juntos vivemos.

Vejo pessoas dizendo amar
Sem ter medo de mais tarde magoar.
Vejo pessoas falando palavras negativas,
Sem pensar que um dia
Essas mesmas palavras podem
Pelo mesmo caminho retornar.

Vejo no sorriso alegria se mostrar,
Em sorriso vejo pessoas umas as outras enganar.
Na roda de amigos escuto histórias
Do mais novo até o mais antigo,
Que eternamente na memória ficarão comigo.

Eliezer A. de Oliveira

O corpo é meu!

Tire suas mãos de mim!
De um passo para trás – se afaste!
Minha roupa curta e com decote,
Não lhe dá o direito que me toque!

Não sou propriedade de ninguém,
Já não quero mais ter alguém que acha ser meu dono!
O corpo é meu e a vida também.

Vou viver do meu jeito,
Se isso te incomoda, cale-se!
Não preciso de opinião e sim de respeito.

A liberdade é um direito de todos,
Independente de gênero ou raça,
Por isso me escute com atenção,
Pois há muito digo basta!

Eliezer A. de Oliveira

Favela

O dia raiou, favela acordou,
Junto com ela o sonho também,
Sonho de todos é não ser um ninguém.

Crescer morando na comunidade é um dos desafios,
Pelo fato das oportunidades serem poucas
E os moradores serem rotulados de vadios.

A vida não é fácil,
Mas o povo tem a mania de sonhar acordado,
Não sonham com muito,
Apenas em ter comida no prato.

Para os povos empobrecidos e explorados
A fome é histórica e o sonho também,
Periferia é açoitada, chora e ainda tem que dizer amém.

Eliezer A. de Oliveira

Testemunhei

Testemunhei da enxada surgir as covas,
posteriormente os grãos saírem das mãos.

O céu, que estava limpo,
trouxe um vento forte,
– em poucos minutos no barraco –
a goteira encheu um pote.

Testemunhei o futuro brotar na terra,
sorrisos nos rostos,
e olhares brilhosos.

Testemunhei a colheita no sertão,
lugar de muita luta,
por um pedaço de chão,
de pão!

Testemunhei uma família feliz,
um povo que diz:
Não queremos miséria,
nem guerra,
apenas dividir
de forma justa
a terra!

Eliezer A. de Oliveira

Pensar incessante

O pensar incessante
Me tira o sorriso
Me faz imaginar o paraíso.

O pensar incessante,
Me trás o desgosto,
Me tira o gosto
De demonstrar
O quanto gosto,
De quem gosta de mim.

O pensar incessante
Faz-me ver adiante,
O que ontem em lágrimas
Não aparecia no horizonte.

O pensar incessante
Possibilita clareamento
Ou enlouquecimento,
Por saber que os monstros
São meus semelhantes,
E isso é intrigante.

O pensar incessante
Modificada conceitos,
E antes de julgar por aí
É necessário mudar dentro de mim.

O pensar incessante
Me faz viajante,
Esperançoso, guerreiro,
Dessa vida militante,
Poeta a todos instante.

Eliezer A. de Oliveira

Crianças e a negação

Crianças sendo abortadas já grandes,
o futuro mais provável é a sarjeta,
num terreno baldio ou numa gaveta.

Crianças pedintes no calor das tardes,
tarde da noites, sem alimentos,
com a barriga vazia vai dormir no relento.

Crianças comendo pelas calçadas,
pessoas mudando pro outro lado da via,
ninguém se dispõe a ajudar,
preferem desviar as pernas e o olhar,
pois a sociedade tem nojo do que ajudou a criar.

Políticos calados diante do caos,
mães a procura de seus filhos,
filhos a procura de seus pais.

Nada falavam, nada viam e nem ouviam,
mas todos sabiam que o direito dos pequenos coibiam,
e por isso fingiam. Viva a hipocrisia!

Eliezer A. de Oliveira

Quando

Quando nada faz sentido
é fácil entrar em depressão,
um prédio da cobertura ao chão,
torna-se uma alternativa, uma solução.

Quando a festa vira tédio,
o tédio te doma, tranca no quarto,
lhe vira na cama, revira pro lado,
amarrotando o pijama listrado,
jogado no armário feito seu dono
jogado na vida.

Quando os quilômetros são demais,
as flores perdem o perfume,
pássaros não conseguem encantar ao cantar,
o desgosto de não poder abraçar,
nem o toque do violão é capaz de minimizar.

Quando perde-se os sentidos,
sente-se a vida correr entre os dedos,
perde-se tanto tempo,
que se descobre as consequências do medo.

Eliezer A. de Oliveira