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Fahrenheit 451

Fahrenheit 451 é a adaptação cinematográfica do romance homônimo de Ray Bradbury, dirigida por Francois Truffaut em 1966. A trilha sonora é de Bernard Herrmann (compositor favorito de Alfred Hitchoc), e a direção de fotografia é de Nicolas Roeg.

Sinopse

Num futuro hipotético, os livros e toda forma de escrita são proibidos por um regime totalitário, sob o argumento de que fazem as pessoas infelizes e improdutivas.

Se alguém é flagrado lendo é preso e “reeducado”. Se uma casa tem muitos livros e um vizinho denuncia, os “bombeiros” são chamados para incendiá-la. Montag é um desses bombeiros. Chamado para agir numa casa “condenada”, ele começa a furtar livros para ler. Seu comportamento começa a mudar, até que sua mulher, Linda, desconfia e o denuncia. Enquanto isso, ele mantém amizade com Clarisse, uma mulher que conhecera no metrô.

Ela o incentiva e, quando ele começa a ser perseguido (e morto, segundo a versão televisiva oficial), ela o leva à terra dos homens-livro, uma comunidade formada por pessoas que memorizavam seus livros e também eram perseguidas. Essas pessoas decoravam os livros, para publicá-los quando não fossem mais proibidos, e os destruíam.

Barbaridade, tchê!

Mago criador do Dia do Churrasco e do Chimarrão quer “regulamentar profissão de filósofo”.

A comunidade acadêmica brasileira na área de Filosofia foi pega de surpresa com a notícia de que o deputado federal Giovani Cherini (PDT-RS) apresentou projeto de lei (n° 2533/11), propondo a “regulamentação do exercício da profissão de filósofo em todo o País”. Além de chover no molhado (só poderá exercer a “profissão” de filósofo quem tiver cursado Filosofia), o projeto do deputado gaúcho estabelece uma espécie de reserva de mercado para “filósofos”. Segundo a proposta, “órgãos públicos da administração direta e indireta ou entidades privadas, quando encarregados de projetos socioeconômicos em nível global, regional ou setorial (ou seja, em qualquer nível) deverão manter filósofos legalmente habilitados em seu quadro de pessoal ou em regime de contrato para prestação de serviços”.

Ainda segundo a proposta do parlamentar, os “filósofos” só poderão trabalhar se tiverem um “registro prévio no órgão competente do Ministério do Trabalho”. Ao enumerar quem poderá exercer a profissão, Cherini cria um privilégio para os “membros titulares da Academia Brasileira de Filosofia e aos por ela diplomados”. O deputado não explica as razões do privilégio a essa curiosa entidade. A página da ABF na internet anuncia com destaque que a entidade decidiu abrir suas portas para “festas, reuniões, coquetéis, formaturas, palestras, seminários, cursos, eventos ou reuniões de empresas e entidades, desfiles de moda e joias, aniversários de 15 anos, casamentos, entre outros”.

Outro projeto destacado pelo site da ABF é o desenvolvimento de “projetos com grandes, médias e pequenas empresas interessadas em imagem de marca, repercussão na mídia e cursos para funcionários”. Tudo com “desconto de 100% das doações no imposto de renda”. Entre os doutores Honoris Causa diplomados pela Academia, estão nomes importantes para a “filosofia brasileira” como João Havelange, Carlos Alberto Torres, Ellen Gracie e Michel Temer. Entre suas entidades parceiras, está a Academia Brasileira de Defesa que tem, entre seus objetivos, “defender a honra e a dignidade das Forças Armadas”.
Ao defender seu projeto, Cherini diz que está preocupado em “retirar do mercado de trabalho as pessoas não habilitadas” e em “prestar um justo reconhecimento a esta milenar profissão”.

O deputado Cherini tem uma forte atração (nem sempre correspondida) pelo mundo das ideias e do espírito. Em 2010, ele virou notícia nacional ao fazer um curso de mago, ou avatar. No curso Avatar Resurfacing, da Star’s Edge International, realizado na Bahia, Cherini teve, entre outras experiências, “aulas de transmutação da consciência”, que permitiriam, entre outros fenômenos, “estar em vários lugares ao mesmo tempo”.

Mais recentemente, o deputado envolveu-se em uma polêmica mais terrena ao decidir processar o músico Tonho Crocco, autor do rap Gangue da Matriz, uma crítica ao aumento salarial de 73% aprovado na Assembleia gaúcha em 2010. Diante da forte reação popular, acabou retirando o projeto. Agora, Cherini decidiu se dedicar a melhorar a filosofia brasileira e a “retirar do mercado as pessoas não habilitadas”. Como nem só de ideias, avatares e filosofias vive o homem, o parlamentar também foi autor, como deputado estadual, de projetos como os que criam os dias do churrasco e do chimarrão (24 de abril) e da torcida gremista.

Fonte: http://rsurgente.opsblog.org/2012/01/20/mago-criador-do-dia-do-churrasco-e-do-chimarrao-quer-regulamentar-profissao-de-filosofo/