Todos os artigos de Rodrigo Mingori

Fogo

Faça um pedido.
Um simples.
Para o mundo salvar, talvez.
Não, menor.
Um simples.
O mundo pode salvar por si só
E de maneira simples.

Vamos, não temos muito tempo.
Peça agora,
Mas sussurrando.
Deixe apenas a ultima estrela
E o mar calmo ouvir.
Esse fósforo
Ele vai conceder
Ele vai conceder
Um pedido simples.

Faça agora
E deixe apenas a lua ouvir
Não para salvar o mundo
Nem para salvar a si só
Um pedido pequeno.

Qual seria?
Um punhado de paz?
Uma mordidela de amor?
Um fim sem dor?
Não, não para salvar a si só.

Ele concederá
Ele concederá
Apenas enquanto o fogo queimar
E tudo será como desejar

Qual pedido seria?
Pense, Pense e peça apenas.

Rodrigo Mingori

Libido

Segue texto inspirado na obra do  mestre Rubem Fonseca que completa hoje 90 anos.

O falo rijo latejava apontando o caminho. Esgueirava-se atrás de uma vítima. Não sabia quem seria, mas já podia sentir a adrenalina nas veias, acelerando sua mente. Sentia o ar em seus pulmões enchendo-o de vida. Os músculos contraídos, os sentidos aguçados e o raciocínio disparado calculando a situação. Meticuloso escolhia moça que certamente ofereceria resistência, e assim sentia-se vivo!
Nas madrugadas não escondia quem era. O espírito forte buscando sustento. Infringindo a moral suplantava o tédio de tudo! Libertação total dos instintos! Não compreendia como pudera o homem suprimir sua mais básica essência.
Vagando nas bordas inóspitas da civilização, atrás de seu falo ia. E ao primeiro vestígio de uma dama atacava. Nem as incontáveis vezes passadas tiram o sabor único de cada nova. Nova entranha, novo beco, sangue novo. Lá vai ela. Era quase justificável: “o que uma moça de vinte e poucos anos faz num lugar deste?”. Ou é caça ou é caçadora. “Em breve descobrirei”.
Não se aproxima furtivo. Nem esconde seu desejo no olhar e na braguilha. À primeira olhada se sabe quem é. A moça, percebendo o perigo aperta o passo. E mais, e mais. Vira esquina, outra. Segue analisando a vítima e mostrando as presas. Adrenalina! Ao passo que ela dispara desesperada e sem rumo, em poucos segundos é agarrada.
Talvez pelo terror nem abre a boca a vítima. Arregala os olhos, mais e mais conforme seu íntimo é violado por um músculo intruso brigando nas entranhas alheias sem dó. Fitando-a de frente no chão, jogada de pernas abertas, ele sente todo desgosto e repulsa da vítima potencializando seu prazer. Pouca ou nenhuma resistência esta ofereceu, sem tampouco afetar seu prazer indizível. De quatro foi impossível segurar os berros. Ambos. Urrava, ele, como predador vitorioso. Uivava, ela, como agonizante vítima.
Na calçada. Nos fins da cidade. Carnes estranhas se penetram. Num ritmo enfurecido, sem amor nem piedade, a luz banha as faces de lágrimas e luxuria. No fim, planta o caçador sua marca pastosa na vítima. Entre seus rins habita os resquícios do ultraje que sofreu.
Mesmo na dormência delirante do gozo agarra o pescoço frágil da caça. Ia finalizando o ritual ao ouvir: “Foi… foi o melhor sexo da minha vida”. Suavizou o estrangulamento ao ver a sinceridade nas bochechas coradas e na umidade da vulva. Jamais acontecera isso. Dera prazer a uma mulher! Seu espanto foi maior que o gozo que a pouco tivera. Ela, serena demais para a situação, continuou: “Deixe-me, poderá ter tudo novamente, como e quando quiser!”.
Ficou deveras instigado pela ideia da moça. “Usá-la-ei, sim. Como me aprouver”, concordou. Ainda excitado percebeu nela o corriqueiro olhar inexpressivo e não pôde resistir. Esse era ele. Estrangulando-a novamente sentiu uma satisfação profunda irradiar da alma e um leve riso brotar dos lábios da defunta.

Rodrigo Mingori

Filtro Noturno

“A nuvem noturna passa mais rápido
Mancha cinza sob o negro
Escorre pelo céu.
Mescla-se a fumaça e limo da cidade
Enquanto o sereno beija o telhado.
A árvore as quatro
Envolvida e trespassada pela luz amarela
Pulsa arte silenciosa.

E onde a vida mostra toda sua falta de pretensão.
Vejo a morte, companheira, a esperar. ”

Rodrigo Mingori

Um lobo homem

(fragmento integrante dos compêndios Anchorlife)

Em algum momento o tempo perde o significado. Nesse segundo eterno o espaço vira infinito e o destino torna-se relativo. Isso ocorre em qualquer viagem longa demais. A espera é vilã da lucidez.

O sol acre queima o mar sertão até o horizonte ondulado por dunas movediças. Escorridas manchas negras preenchem o que restou do céu e o mundo alucinado gira não mais que a bússola no convés.  O capitão solitário se debate a salvo num escafandro

O presente é descontínuo, mas o sol ainda morre vagarosamente descendo em direção a altas ondas dunas.  Então o mundo era coberto por vacilante luz prateada. O capitão olharia para ver constelações do passado, outro céu é exibido.

Cada onda arenosa alta e má chacoalha a embarcação, acelerando o coração e o desespero do afoito mortal enclausurado na pesada roupa de mergulho. Inda assim, cheio de terror e sem oxigênio, pode ver as barbas estreladas em pleno céu do dia sem horas.

A figura magnífica assentada na montanha vestia o manto negro da noite. Caso não fosse algum deus deveria ser algo próximo. Escondera os olhos, mas exibia austeridade e solidão como um lobo. Naquele céu equívoco, um homem só. Um lobo homem!

Arte: Eduardo Frigeri

Padaria

Franzino, ruivo, sardas, olhar fugidio. Filho único de mãe pobre. Terminou apenas o ensino fundamental. De gênio assustador e inteligência matemática incomum. Evitava olhares alheios. Ainda criança sentava no parque, entre arbustos, olhando transeuntes a esmo. Não entendia muitas coisas. Enquanto crianças corriam, brincavam, ele observava. Enquanto jovens bebiam, paqueravam, estudavam, ele observava.

Aos dezesseis anos trabalhava limpando a padaria da esquina. Quando sua mãe morreu vivia feito cão para ganhar pães amanhecidos de refeição. Dormia no almoxarifado da padaria, na praça, no parque, no cemitério.

Gostava de varrer a calçada. Vagaroso expurgava a poeira enquanto escorava o queixo no cabo da vassoura a olhar qualquer um que passasse. Gostava de ficar só imaginando o quanto do mundo não conhecia e o quanto as pessoas eram iguais. O sol lhe aquecia os pensamentos longínquos. Alguém passava, naturalmente desviando-se. Sentia alívio na indiferença alheia. Um perfeito Zé ninguém. Era reconfortante. Podia fazer qualquer coisa, matar ou sumir. Tinha plena liberdade.

Nada além do fim do dia era planejado. Nenhum objetivo traçado. Nunca pensou em ser alguém ou fazer algo, e, numa tarde de novembro, já com alguma idade percebeu: cultivara a indolência, mas não a insensibilidade. Foi dado a observar e raciocinar. Estava salvo. Salvo de tudo, ou melhor, de todos. As obrigações de amizade, relacionamento e parceria não lhe cabiam. Apenas fazia sua parte no pequeno acordo com o padeiro.

Não era dado à pena nem ao remorso. E essa solidão voluntária avolumou-se. Como uma onda balançava sua alma vazia. Era o vazio. Era um vazio. Aquele sem laços. E mais, sem necessidade para com o outro. Qualquer outro.

Se sumisse ou matasse, pouco importaria. Não desejou isso a mais ninguém, porque realmente ninguém estava em seus pensamentos. As pessoas eram meios. Meros meios. Assim ele experimentava a vida.

Um penteado ruivo desajeitado e um silencio profundo cercado por uma razão matemática. Algumas pessoas, as intrigadas, voltavam para vê-lo. Tentar agradá-lo, pelo simples fato de ter sua afeição. Outras pessoas jamais voltavam.

As pequenas folhas verdes retangulares, tão carregadas de valor e sentimento quanto qualquer humano, acumulava na carteira sem objetivo certo. Era pouco e totalmente insignificante para ele.

A padaria cresceu. Movimento constante. Teve contato com mais pessoas e ouviu conversas variadas enquanto limpava.

Não tinha certeza sobre o que gostava, pois não desgostava muito e pouco importava afinal. E isso não lhe era confuso, apenas era.

Gritos costumeiros de clientes em suas mesas esperando para fazer o pedido chamavam-lhe “amigo” pela falta de termo a empregar. Nenhuma comiseração havia nisso, um pensamento sutil expressava “seja legal comigo e terá boa gorjeta”. Ele não sabia ser legal, apenas por incerteza de como fazer. Nunca compartilhou muito das convenções sociais de cortesia. Entendia muito bem, por sua vez, sobre hipocrisia. E na ausência da hipocrisia muito do agradar ao próximo era perdido.

Alguns apreciavam essa frieza. Não ficavam confortáveis com um mero faxineiro emocionalmente apegado aos clientes. Ele devia apenas limpar, não amar ou relacionar-se. Um velho senhor num terno cinza, bengala e boina listrada – o estereótipo cambaleante – lhe arreganhou uma boca de dentes amarelos falando do grande erro dos garçons de hoje em dia: “insistem em serem bonzinhos”. Entendeu como elogio, sem ligar, muito.

Vagarosamente descobria alguns prazeres na vida. Na verdade tinha apenas um e suas variações, na qual delas varrer a calçada se incluía. Seu prazer era ser só. Estudou e delimitou bem isso, para aproveitar conscientemente a origem de seu deleite. Apreciava ser só. Esteve muito tempo acompanhado, cercado, mesmo não estando sozinho existia plenamente a só. Um tempo deveras desestimulante, achava aliás. Sem um pingo de preocupação importância com alguém, gostava de ser só, para poder estar entre alguns, continuando a só. Os clientes e transeuntes reforçavam essa vontade. Pessoas desagradáveis ou agradáveis demais reforçavam sua solidão na alma.

Por isso trabalhou tempo na padaria. Um lugar de passagem. Um lugar de laços impossíveis. Um lugar onde não se permanece. Sentam, comem, bebem, falam, sujam e se vão. Vários deles. Varria a calçada com um certo tipo de gosto, como uma estrela num céu aberto e limpo. Cada ponto luminoso enchendo as vistas de qualquer um que observasse. Distantes um do outro por uma imensidão negra intangível e intransponível. Era ele, ele varrendo a calçada, desviando as cerdas da vassoura dos pés das estrelas que passavam milhões de quilômetros na sua frente. Era só! Só, intocável e livre.

Wagner traiu Frederico

            Freud já dizia: “Passo, gira, gira passo…” Nossa música está doente! E antes dos relativistas respondo logo: música é a expressão de uma natureza humana que não existe. Porém, vamos deixar por hora os relativismos (que eu tanto amo) de lado.

             O filósofo alemão Friedrich Wilhelm Nietzsche (doravante denominado apenas por Frederico) já disse, a mais de um século, a música esta doente, infectada pelo câncer do músico também alemão Wagner. Nietzshce e Wagner tiveram um caso (detalhes no livro “O Caso Wagner”), que resultou numa análise profunda do Filósofo sobre a música. Filósofo que também era músico compondo algumas canções, canções bastante alegres para tristeza da maioria.

            O caso foi, e ainda é, a respeito de escrúpulos.  Wagner traiu Frederico. Frederico achava que Wagner era o maior compositor de todos os tempos, mas ele era só um interesseiro. Queria fama, sucesso, dinheiro, e isso Frederico não podia dar a ele. Eles romperam relações, e Frederico num ímpeto de dor e fúria destilou suas dores no livro já citado, “O Caso Wagner”.  Dessa novela mexicana nasce uma análise sobre a música sem par na história que ecoa em nossos tempos envolta num tom de “EU AVISEI!”.  Apesar de hoje já não importar mais a descarada falta de ideal, o desrespeito para com a arte, a alarmante supervalorização monetária frente a tudo e a tristeza do utilitarismo burguês, os escritos de Frederico ainda fazem sentido. Tudo perece frente ao pecuniário. 

            Enfim: não choremos o leite derramado! Ingenuidade seria acreditar na santidade e retidão de caráter do ser humano. Não culpemo-nos pela lama que nos espera, o pior caso ainda nos serve de exemplo! Como disse o músicofilósofo Lobão “o mainstream é necessário”, todo mundo precisa de música. Experimente uma existência acalorada e mantenha vistas nos males da humanidade. Saiba: há, transitando por ruelas escuras, sons de primor ainda hoje, longe dos holofotes são chamados de resistência aos discípulos escrupulosos de Wagner, corruptores das mentes. Ao pensardes em sucesso, lembre-se dessas palavras do mestre FredericoO Sucesso de Wagner – seu sucesso sobre os nervos e depois com as mulheres – fez de todos os ambiciosos do mundo da música discípulos de sua arte maléfica. E isso não só para os ambiciosos, mas também para os astutos… Nos dias de hoje só se ganha dinheiro com a música doente; nossos grandes teatros vivem de Wagner.” E tenho dito.

HÁ BRAÇOS.

Fugaz

A consciência não é natural
Despertar abandonando o vazio, heresia!

Eis uma prova:
A vida é permanente passageira.
Fugaz na essência.
Jornada niilista com apenas um porto.

Acordar é um erro.
Somos transgressores natos e insistentes.

Dor, vazio, tédio, náusea, Tânato.
Indulgências da ordem
Para com nossa teimosia em existir.
Abrace o vazio sem fim
Liberte-se.

A Farsa Lúcida

Defronte este humor vítreo
É possível ver
Além de carne, osso e pele?
Translucida piada.
Fala com olhos irônicos
A observar as vidas todas
Ocas e pobres.
Apenas percebe
O que conhece,
Então responde:
O que há em cada um,
Além da carne, osso e pele?

Nada, digo-te.
Um espelho no vácuo,
Um semblante borrado,
E um desejo amargo.

Nada? Eu sei.
Só o morrer
De tempo,
Destino.

Lamento

A noite pesa. A madrugada me cobra. Véspera de natal, só, penso em Peru! Ficar pensando em peru depois de todo o ocorrido só pode ser Ironia zombeteira do destino dos fracassados. Tantas mulheres procurando companhia e eu sozinho só penso em peru. Natal triste sem ninguém. Natal triste sem peru.

Leio jornal, olho TV, ouço rádio, folheio um livro qualquer de poesias antigas na esperança que o tempo passe. Prendo-me num manual de eletricista. Como escrevem bem! Com seus termos, técnicas, métodos. Voltagem, corrente elétrica alternada, amperagem. Interessante.

Tento não pensar na cidade movimentada. A fraternidade nos lares, as missas cheias, os shoppings e restaurantes apinhados, os ladrões a espreita de uma carteira recheada, todos vivendo felizes e acompanhados. Pessoas, agora, me lembrariam a companhia ausente, um jantar e o maldito peru. Prefiro os volts.

Talvez amanhã eu adote um animal. Um desses de rua. Gato ou cachorro. Qualquer desabrigado anti-social criado por seus instintos para me causar alguma dor de cabeça. Que eu não durma ouvindo seu gemido e limpe sua sujeira tentando amolecer seu coração e apaziguar sua desconfiança. Tem de ser um macho! Sumirá quando puder no rastro do cio,  não me deixando tão rejeitado.

Uma boa puta deve ter as costas largas. Ombros vistosos, delineados e indiferentes. Sem marcas, assim, transarmos com nossa criatividade utilizando seu corpo. Esse é o seu serviço, alugar o corpo para nossas desventuras. Já vi puta com tatuagem de santo nas costas, é desestimulante! Ela esfrega o pecado na fuça de seu algoz.

Quem sabe eu ligue a um conhecido, um velho amigo. Contudo, creio ser tarde. Amizade enfraquece frente ao relapso. Seria desespero. E se percebessem? Talvez ligue e diga: “Está tudo ótimo, conheci a mulher dos meus sonhos! Uma bela loira, magra de bunda empinada que trabalha no BRADESCO.”

 – Alo?

– Alo, Alfredo?

– Não. O senhor ligou errado, ninguém…

– Alfredo, só liguei pra dizer que está tudo ótimo e que encontrei a mulher dos meus sonhos. Uma bela loira, magra de bunda empinada que trabalha no BRADESCO.

– Desculpa amigo, ligou enganado.

Clic.

 

            Não ajudou muito. Vou continuar.

 

– Alo.

– Alo, eu gostaria de pedir uma pizza.

– Ok, que sabor?

– E eu gostaria de dizer que estou bem.

– Certo senhor, que sabor?

– Tem de peru?

 

Vida triste.

 

Por: Roberto em Dez/2010.

IX – O Sangrar dos Céus

Segue uma passagem da atual produção de Rodrigo Mingori, o nono capítulo do projeto nórdico ainda sem nome.

O jovem de má sorte recobra a consciência apertando as costas contra grama e uma pedra cutucando as costelas. A clareira está escura e vazia. Não tem a mínima noção de quanto tempo se passara desde que se deitou embalado pelo som do habilidoso velho assoprando a vareta de madeira. Num instante todos os sonhos de um sono perturbado lhe sumiram da memória para deixar apenas um rastro de sentimentos equívocos.

Levantou-se com o torso calejado e chutou a pedra para longe. O movimento denunciara uma leveza incomum em sua indumentária. A espada e o cantil de água desapareceram. Ficou confuso, olhou em volta procurando-a na esperança de tê-la derrubado enquanto girava agarrado aos braços das outras pessoas. Nada. Nenhum vestígio do metal branco. Apenas uma pequena adaga, com uma lamina mal feita, com riscos, fissuras e alguns dentes encontrou. A adaga não deveria ter mais de 10 centímetros de lâmina. Imaginou as inúmeras utilidades de um objeto tão pequeno e fácil de esconder. No cabo um pequeno círculo oval, muito mal feito, com um ponto no centro. “Deve pertencer a algum dos estranhos. Devo procurá-los para saber de minha lâmina e devolver isto”, pensou.

A vegetação logo denunciou o caminho da caravana. A mata estava bastante amassada. “Foram pelo meio da floresta em direção sul”, concluiu observando as estrelas. “Estranho, há uma estrada margeando a floresta algumas dezenas de metros ao oeste, qual o motivo de terem seguido pela península de árvores? Menos mal, assim ficará fácil de seguir”.

Avançou a trote rápido buscando ganhar o tempo perdido pelo descanso. Entre as árvores aqui e ali percebeu próximo do horizonte um clarão avermelhado. Jamais vira nada parecido. Era como se mil tochas estivessem acesas ou a própria floresta em chamas. […]