Todos os artigos de PAblo Poetry

Vento

Tenho sono,
O sono de mil noites não dormidas,
Gastas sonhando acordado,
Num eterno rolar na cama.

Meus dragões me enlouquecem,
Seus venenos entram em meus ouvidos,
Rasgam minha personalidade,
Minha frágil consciência.

Cosmonauta eu sou,
Perdi minha nave num planeta azul,
E agora vago com remos em terra,
Em um voar pelo ar sem asas.

Minha verdade é mentira,
E o nada me persegue,
Queimando tudo a minha frente,
Para eu chegar soprando as cinzas.

PAblo Poetry

Miércules

Assim, meio sem saber
qual o sentido ou a direção,
sigo,
seguimos,
todos irmãos,
contemporaneos da mesma existência.
o que vai vir,
vir vai.
o que? não sei,
não sabemos.
vivemos pelo presente
pelo presente que não se apresenta,
pensamos no amanha
sentimos saudade do ontem
e não lembro do momento
em que nos libertamos dos desejos.
escravos os reis?
a existência liberta?
tenho certeza que sim,
mas não tenho certeza de como.
o método é uma incógnita.
a escuridão se alastra,
na ausência de luz, infinita.
onde é o fim?
tem fim?
não deveríamos se preocupar com o amanha,
porque o amanha nunca chega,
é no hoje que nascemos,
é hoje que vivemos
e hoje que vamos morrer.
tristeza ou alegria são formas de encarar,
a realidade é uma só
o que nos diferência são pontos de vista,
mentiras em que acreditamos
para dar sentido ao que não tem.
dor e prazer são dois lados de uma mesma moeda
cunhada de vazio.

“Nada sei”

Sempre que sair de casa

Sempre que sair de casa,
Saia como se tivesse fugindo.
Saia e faça do antigo caminho,
Um mesmo caminho,
para um novo lugar.

Sempre que sair de casa,
Saia preparado para voar.
Saia olhando para os lados,
Não para seus passos,
Pisando no mesmo lugar.

Sempre que sair de casa,
Não se preocupe em voltar.
Saia olhando a paisagem,
Com os mesmos olhos,
mas outra forma de olhar.

Sempre que sair de casa,
Não pense em tudo que
Possa encontrar. Saia
Andando diferente, como
Uma mesma letra em outro cantar.

PAblo Poetry
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Às vezes fico sem poemas

Às vezes eu fico sem poemas
E saio pela casa procurando algo:
Uma folha dobrada pelo vento,
Um marreco pousando num lago…

É como se eu tentasse ver beleza
Em um rosto meio enrugado,
Um olhar de alteza,
Um grito de amor engasgado…
Olho, escuto e percebo,
Um sussurro sutil do vento,
Um sorriso que me vem brindar…
Não foi folha, marreco, nem rugas,
Foi um grito de amor que, a rasgar,
Sangrou-me, virando poema.

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Poesia publicada no livro Poemas nos Ônibus III
Editora Berthier – Passo Fundo – em 2007.

Autor: PAblo Poetry
Pseudônimo usado: Pablo L. A. Mari
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Estudo da Dúvida

Duvide de tudo,
Duvide de todos,
Não tenha certeza,
Certeza é parar.

Continue andando,
Pra frente ou pros lados,
Mas duvide da estrada,
E do que tem embaixo.

Não tenha certeza,
A única certeza é a dúvida,
Continue pensando,
Se faça perguntas.

Não diga que sim,
Nem diga que não,
Só diga talvez,
E quem sabe a razão.

Conserve a dúvida,
É só ela o combustível do pensar.
Conserve a pergunta,
A resposta só responde se parar.

PAblo Poetry
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