Todos os artigos de Gabriela de Oliveira

Sobre a vaidade

Consigo perceber em nossa sociedade dois tipos de vaidades. Uma é a vaidade é que nos traz o sentimento de individualidade: o jeito que cada um se arruma, a cor que pinta o cabelo, as tatuagens e acessórios que usa. Outra é a vaidade que se impões, dizendo que o bonito é ser de tal e qual maneira.
Sobre a primeira, nada tenho a declarar além do fato de que eu gosto dela: gosto que cada um tenha e possa expressar sua personalidade, sua individualidade e até mesmo sua arte no seu estilo de ser no dia a dia.
Já da segunda, não gosto, nem um pouco! Existe um padrão de beleza imposto e, por ser imposto, ele faz mal. Ele não deixa de cada pessoa seja ela mesma. Somos todos diferentes: nosso corpo, nosso rosto, nossas formas são distintas e há beleza nessa distinção. Lembro que minha mãe sempre dizia: se todos gostassem de azul e pintassem suas casas só de azul, não teria graça. Isso vale pra beleza, pra essa vaidade também. Esse padrão deixa a todos obcecados, não aceitando o corpo que possuem, não aceitando as rugas que o tempo traz. Essa obsessão mata, mesmo que aos poucos, mas mata! Mata quando a pessoa se sente triste por ter engordado dois quilos, mata quando a pessoa não consegue controlar as rugas e estrias, mata quando a única coisa em que a pessoa pensa é em controlar essas ações do tempo.
Tudo isso é incontrolável e precisamos aceitar, sim. O tempo passa e, se focarmos nossa cabeça naquelo que é passageiro, não conseguiremos viver o momento como deve ser vivido. Não vamos nos descabelar pra não sair “feio” na foto; não iremos comer aquela batata frita por medo dos dois quilos; não iremos rir muito pra não fazer rugas.

Sair disso pode não ser algo fácil, mas começa quando nos olhamos no espelho e aceitamos toda a beleza que já está ali, sem depender da aprovação de mais ninguém!

Gabriela de Oliveira

Luciana Van Gobi

Luciana Van Gobi não ficou mais online
Nem pra despedida ela ficou
E depois de tanta saudade
Consigo lembrar das coisas que a gente não viveu
Foram tantas coisas coloridas
Em tardes de outono
E só nós achávamos graça
E ficamos ouvindo que
‘Todo mundo é uma ilha’
Que nada tem sentido
Mas a gente ria
E isso era o importante
E isso era a graça da vida.

Mas Luciana Van Gobi sabe onde está
Ela não se perdeu dela mesma
Ela é fiel ao que pensa
E mesmo que não volte
É coisa permanente pra se lembrar.

Loucura

Loucura é coisa de louco

Enquanto o mundo gira pra lugar nenhum
Enquanto o ano passa rápido e a semana não
Enquanto a gente pensa e não faz

Loucura é não sentir prazer

Não ver no dia a dia a beleza
Não ver na rotina a própria existência
Não fazer do tédio um companheiro na hora da solidão

Loucura é não querer a solidão

É se deliciar com prazeres prontos
É repetir frases feitas
É dizer que pensa e pensa

Loucura é coisa do mundo

Escrever à mão

Sinto necessidade de escrever à mão. É como se o digitar me roubasse a imaginação, o sentimento mais puro. Escrever à mão é meio mágico: não se apaga com um botão quando se muda de ideia, se rabisca em cima. Acho que isso é mais parecido com a vida: não dá pra apagar o que a gente viveu, mas muitas vezes riscamos tão forte que na manhã seguinte não fazemos a mínima ideia do que estava embaixo de toda aquela tinta. Isso é bom. É assim que vem uma nova ideia, uma nova vida, um novo pensamento depois daquele que foi riscado.

As vezes não vem nada depois disso, mas não dá pra tirar o rabiscado de cima, o que melhor conseguimos é seguir em frente, buscando outras palavras ou reescrevendo as antigas, quando estas realmente valem a pena. Alguns dizem que a vida é uma caixa de bombons. Eu digo que a vida é escrever à mão.

2012-02-16

Liberdade – Nada menos que Tudo

Ganhei o livro de presente e, ao ler o índice já sabia que eu gostaria muito. Sou uma simples estudante de filosofia, com uma bela preferência por ontologia, não tinha como não gostar de um livro que trata de ciência e espiritismo numa só vez. Comecei a ler de imediato e não parei até chegar ao final.

As reflexões e questionamentos que o autor, Leandro José Severgnini, traz são muito instigantes, nos faz pensar sobre nossa realidade, sobre nossas origens. Por muitas vezes lembrei que, quando criança, eu sempre me fazia aquelas perguntas e quanto elas eram importantes pra mim. São coisas básicas, até um tanto clichês, mas essenciais para nossa formação enquanto seres pensantes, para nosso autoconhecimento. Sim, é um livro que nos leva a um autoconhecimento demasiadamente importante e que tanto falta nos dias atuais.

Deixo abaixo algumas frases do autor, para quiser conhecer um pouco mais do livro. Quem tiver interesse em adquiri-lo, segue o contato de Leandro: https://www.facebook.com/leandrojosesevergnini

Está claro que o homem anseia por liberdade mesmo sem saber disso. Tudo o que ele faz que possa ser visto como equivocado, ele faz na pretensão de sentir algum prazer que o traz uma breve e ilusória sensação de liberdade”

Eu não quero dizer o que você deve pensar, mas sim que tudo pode e deve ser questionado. É o primeiro passo para a liberdade de pensamentos.”

Só quem alcançou o amor pode ver a beleza que há na liberdade”

Não sou contra nenhuma religião, apenas sou a favor de uma liberdade que nenhuma delas oferece”

Eu admiro mesmo as pessoas livres, pois elas tentam espalhar a liberdade a todos e é assim que o amor vai se espalhando passo a passo”

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Ficha técnica

Autor: Leandro José Severgnini

Editora: ecologia humana
Páginas: 243
ISBN: 978-85-912272-1-1
Ano de publicação: 2013

Por Ser só o que É

Não importa quais ou quantas foram as possibilidades: cada um fez uma escolha e nada mais. Não importa o que aconteceu ou o que poderia ter sido; são apenas hipóteses e não fatos. Não dá pra pensar no que não é.

Há o fácil que tentamos explicar
e complicamos.
Há o complicado que deixamos para lá
e facilita.
Explica-se por si
por ser Só o que É
Por não saber que é o que
Há beleza,
Não há silêncio consolador
mas o absurdo faz parte da vida.
Não há como impedi-lo
nem porque fazer isso
que não se desfaz
mas se refaz
e toma o resto de si pra si.
O resto de um rosto
sem beleza palpável
de duvidosa dor ou felicidade.
Não explica os termos
não define os conceitos
apenas se esvai.
E se vai, volta…
Todo dia.

Gabriela de Oliveira

Uísque & Sentimento

Perdi as contas
De tanto tentar te contar
E perdi o rumo
Pra não me desanimar
E volto sempre ao ponto de partida
O que mostra
Que nunca saí do lugar

A gente mistura tanta coisa
Uísque & sentimento
No mesmo copo
Bebe num só gole
Pra depois vomitar
A gente mistura passado & presente
E acabamos sempre em outro lugar

E de quem é a culpa?
Tudo que nos fere
Deve ter a causa do efeito
Talvez num suspeito
Qualquer um que
A gente possa condenar.