Noções de Nações

Repensemos o Estado Nação
suas fronteiras, suas políticas,
tributos, suor e religião.
Repensemos seus direitos
deveres, status e regulação.

Porque ao criar o Estado Inventaram
o brasileiro, o mineiro, o americano…
explicaram o que é ser chileno,
congolês, australiano…

tudo mentira, tudo ilusão;
sou humano, sou genético
parecido mas nunca igual.
rótulos são prisões de
conceitos e liberdades
não te esqueças, Oh Estado!
tu vieste da fraternidade.

PAblo Poetry

Vejo

Vejo em cada olhar vontade de vencer,
A cada amanhecer o novo acontecer.
Vejo na noite mais fria a lua me aquecer,
E na amizade o bom de viver.

Vejo em cada verso o amor acontecer,
Em cada rosa sinto o perfume
De momentos que juntos vivemos.

Vejo pessoas dizendo amar
Sem ter medo de mais tarde magoar.
Vejo pessoas falando palavras negativas,
Sem pensar que um dia
Essas mesmas palavras podem
Pelo mesmo caminho retornar.

Vejo no sorriso alegria se mostrar,
Em sorriso vejo pessoas umas as outras enganar.
Na roda de amigos escuto histórias
Do mais novo até o mais antigo,
Que eternamente na memória ficarão comigo.

Eliezer A. de Oliveira

Universo onírico

A vida é feita de sonhos
E, entremeio a devaneios,
Anseio tristonho
E espero enfadonho, que chegue a minha vez

Pode até parecer insensatez
Mas mesmo com a escassez de chances que tenho
Persisto ferrenho
Buscando a realização dos sonhos que sonho acordado

E quando acordo pra realidade, abalado
Quero voltar pro meu universo onírico
E sair desse mundo satírico
Que insiste em me puxar pra baixo

Mas quando tento voar bem alto
Sinto correntes que me prendem os pés, e me sinto ao revés
E os elos dessa corrente, alternadamente vão ficando mais fortes
E eu, sem um pingo de sorte,
Tento libertar-me para seguir meu norte

Aliás, norte ou sul, leste ou oeste, tanto faz
Pois a vida é fugaz
E nem todo o nosso esforço é ineficaz
Então sejamos audazes
Para que não nos tornemos incapazes
De realizar o que almejamos

E aquilo que almejo
É bem mais que desejo
É minha sina
E vejo um lampejo desse sonho em cada esquina

O sonho de não depender
De nem um, nem dez, nem cem para completar meu ser
E de me livrar dos grilhões da submissão
E das correntes que prendem meus pés no chão

Cada elo da corrente é um problema a ser superado
Viver só pra trabalhar e pagar as contas
E mesmo assim terminar em bancarrota?
Parece que estou vivendo no dia da marmota

Sempre na mesma rotina
E com a dor, já inquilina
No peito, desfeito
Quase que minha esperança declina
Mas não me deixo abater
Pois sei que as pancadas que a vida me dá só vão me fortalecer

Parece que estou cumprindo pena, e sem piedade
Enquanto os que nascem em berços de ouro gozam de sua liberdade e do seu capital
Eu aqui nessa cela infernal

Mas chega, agora é hora da verdade!
Chegou a hora de transpor a realidade
E sair dessa cela pela porta da frente
E gritar a plenos pulmões
Que sou fruto de minhas emoções

É hora de chutar o balde
E de seguir sendo lírico
É hora de trocar a realidade
E transformar a vida real
Em meu universo onírico.

Felipe Daltoé

Sussurros engarrafados

Sobre as verdades do corpo:
Ele é rio de memórias,
Sentimentos, lembranças,
E outras histórias.

Histórias minhas e suas;
De pessoas que nunca conheci
De pessoas que pensei conhecer.

Tentei desfazer-me de tais coisas
Das posses não possessas…
Das verdades e promessas;
E lancei-as ao mar.

Como o destino de todo rio é desaguar
Lancei-as a ti
Ou a quem mais encontrar.

Luiz Felipe M. Santana

Dia do e da Poeta

Ser poeta
não é ter profissão.
Sendo poeta não consigo
nem ganhar o pão.

O poeta escreve sofrido,
não esquece a dor do ocorrido,
fica remoendo o passado,
até parece um sentimento atrasado.

Ser poeta é

mais condenação
do que escolha.
mais emoção
do que ponderação.
mais bebida
do que comida.
mais abstinência
de que overdose.

Ser poeta é
mais o outro
do que você.

“Feliz” dia do ator
que vive na pele
seu papel de fingidor.

Guiomar Baccin

O corpo é meu!

Tire suas mãos de mim!
De um passo para trás – se afaste!
Minha roupa curta e com decote,
Não lhe dá o direito que me toque!

Não sou propriedade de ninguém,
Já não quero mais ter alguém que acha ser meu dono!
O corpo é meu e a vida também.

Vou viver do meu jeito,
Se isso te incomoda, cale-se!
Não preciso de opinião e sim de respeito.

A liberdade é um direito de todos,
Independente de gênero ou raça,
Por isso me escute com atenção,
Pois há muito digo basta!

Eliezer A. de Oliveira

Pátria que me pariu

Patrícia era pobre e preta
passava pelas pinguelas para
poder preparar o pão.
Pegava pesado,
Passava de pedra em pedra,
nem pestanejava,
precisava pagar a prestação.

Pedro, seu patrão, era patriarcal
e possuía pedras preciosas.
Podia até parecer preocupado
mas para Pedro,
pescar era para os pobres.
Patrão só precisava parecer
pertinente.
Padrão.

Prepotente, Pedro perdeu a paciência.
Pediu para Patrícia priorizar a profissão.

Patrícia preferiu passar pela porta.
Seu peito não pulsava pela pátria
e sim pela poesia.

Para poder progredir é preciso:
Preparação
Perspectiva
Paciência

Paz.

Guiomar Baccin

A(s)sombra

Sempre há você em mim,
Mesmo não havendo
Disfarce para a sombra
De dúvidas que assombra
Meu coração ao meio-dia
Da tua alma que grita
Por um pouco mais de ar
Pra ânsia do meu peito
Asmático destemido amar
Que mesmo já sem chance
Atropelou o destino a tempo
Comeu o vento pelas bordas
E depois de você visitou
O relento de qualquer outro
Sem ousar ser de mais
Ninguém.

Ana Oliveira

Favela

O dia raiou, favela acordou,
Junto com ela o sonho também,
Sonho de todos é não ser um ninguém.

Crescer morando na comunidade é um dos desafios,
Pelo fato das oportunidades serem poucas
E os moradores serem rotulados de vadios.

A vida não é fácil,
Mas o povo tem a mania de sonhar acordado,
Não sonham com muito,
Apenas em ter comida no prato.

Para os povos empobrecidos e explorados
A fome é histórica e o sonho também,
Periferia é açoitada, chora e ainda tem que dizer amém.

Eliezer A. de Oliveira

Madeleine

Ando por aí quase sem mim
Querendo abraçar saudades
Num caminho feito de partidas
Deixo o mar de lágrimas vividas

Ando também quase sem ti
Com olhos cheios de ausência
Regresso a um eu que era teu
Que do ontem, o hoje comeu

Desse amor que não pode ser
Quero dele que viva em alguém
Como uma Madeleine mordida
Que no devir não fora esquecida

Ana Oliveira

Grupo de Artes e Cultura